Bateram a sua porta naquela tarde:
- Gostaria de um pouco de amor?
- Não obrigado. É muito caro, e não tenho tido tempo para cuidar disso.
- Mas hoje é de graça senhor, aproveita!
- Não não, mas a manutenção é cara. Não quero, obrigado.
Fechou a porta. Não sentia falta alguma desse "tipo de produto" em sua vida, tinha plena certeza que poderia continuar vivendo com essa ausência. Já o teve uma vez, não achou que valeu a pena. Apodreceu rápido, e precisou de muito tempo para limpar toda sujeira que ele deixou. Continuou sua vida sem amor.
Mas depois de um tempo, começou a faltar alguma coisa, ele começou a sentir falta do cheiro que o amor deixava no começo...era bom. Acalmava, quase como um remédio. Trazia uma sensação boa, que ele já não sentia a muito tempo. Nem se importou, nem sequer lembrou da bagunça que ele fizera da outra vez e se desesperou a procurar amor por toda parte, mas era sempre a mesma resposta:
- Desculpa senhor, está em falta no mercado. E agora é só para quem está realmente preparado. Não para quem está vazio.
É, não tinha jeito. Percebeu que a chance de ter amor puro, sem custos e sem precisar de nada em troca, não voltaria tão cedo, enquanto ele não soubesse realmente como cultivar e deixar viver. Até então, foi vivendo sua vida sem amor...
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
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3 comentários:
É principalmente quando o amor vem de graça, que nos o esnobamos e não vemos o valor que de fato ele pode vir a possuir, certo ?
^^
Gostei do blog !
que texto lindo. tão forte o ''estar vazio''... amor a venda, aluguel, roubo, mendigagem; amor forçado pra sanar o vazio.
muito bonito. belas palavras.
bjs
Nunca damos valor á quem realmente quer nos amar, sempre amamos quem nos ama, e fica sendo uma coisa recíproca, porem negativamente, se é que me entende.
Bjs
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